Escoliose: o que é, tipos, graus e tratamento

Conteúdo revisado pelo Dr. Shiro Shimoakoishi, neurocirurgião especialista em tumores cerebrais e coluna.

Escoliose: o que é, tipos, graus e tratamento

A escoliose é um desvio lateral da coluna vertebral que, visto de costas, forma uma curva em “S” ou em “C”, em vez da linha reta esperada. Mais do que uma simples “curvatura”, ela envolve também uma rotação das vértebras, o que a torna uma alteração tridimensional. Para ser considerada escoliose, esse desvio precisa ter no mínimo 10 graus, medidos em uma radiografia. É uma condição relativamente comum, especialmente entre adolescentes, e a maioria dos casos é leve e não traz grandes limitações. Entender os tipos, os graus e as opções de tratamento ajuda a lidar com o diagnóstico com mais clareza e menos ansiedade.

Neste artigo, você vai entender o que é a escoliose, seus principais tipos, como a gravidade é medida, quais são os sintomas e como funciona o tratamento em cada situação.

Principais conclusões

  • A escoliose é um desvio lateral da coluna, em “S” ou “C”, com rotação das vértebras.
  • O tipo mais comum é a escoliose idiopática (sem causa conhecida), que representa cerca de 80% dos casos.
  • A gravidade é medida pelo ângulo de Cobb, em uma radiografia; considera-se escoliose a partir de 10 graus.
  • O tratamento depende do grau, da idade e do crescimento: vai da observação à fisioterapia, ao colete e à cirurgia.
  • O colete não corrige a curva já existente, mas ajuda a impedir que ela progrida durante o crescimento.

O que é a escoliose

Em uma coluna saudável, quando olhamos a pessoa de costas, a coluna aparece como uma linha reta. Nessa condição, a linha da coluna se desvia para o lado, formando uma ou mais curvas. Além do desvio lateral, há também uma rotação das vértebras, por isso ela é considerada uma deformidade tridimensional, e não apenas uma curva simples.

É importante diferenciá-la de uma má postura passageira. Enquanto a má postura pode ser corrigida ao endireitar o corpo, trata-se de uma alteração estrutural da coluna, que permanece. Curiosamente, aqui a má postura costuma ser uma consequência do desvio, e não a sua causa. A condição pode surgir em qualquer idade, mas é mais frequentemente identificada na adolescência, durante a fase de crescimento acelerado.

Os tipos de escoliose

A condição é classificada conforme a sua causa. Conhecer o tipo é fundamental, porque isso orienta todo o tratamento:

TipoCaracterísticas
IdiopáticaA mais comum (cerca de 80% dos casos). Não tem causa conhecida e costuma surgir na adolescência, sendo mais frequente em meninas.
CongênitaPresente desde o nascimento, por uma má formação das vértebras durante a gestação.
NeuromuscularAssociada a doenças neurológicas ou musculares, como a paralisia cerebral, que afetam a sustentação da coluna.
Degenerativa (do adulto)Surge mais tarde na vida, pelo desgaste da coluna com o envelhecimento. Pode causar dor e sintomas neurológicos.

O termo “idiopática” significa justamente “sem causa conhecida”. Vale um esclarecimento importante para tranquilizar famílias: a forma idiopática não é causada por má postura, por carregar mochila pesada ou por dormir de determinada forma. Ela tem um componente frequentemente hereditário e se manifesta durante o crescimento.

Como a gravidade é medida (ângulo de Cobb)

A gravidade é medida por uma ferramenta padrão na medicina: o ângulo de Cobb. A partir de uma radiografia da coluna, o médico traça linhas nas vértebras mais inclinadas da curva e mede o ângulo entre elas. Esse valor, em graus, define a magnitude da curva e é acompanhado ao longo do tempo para verificar se ela está progredindo.

De forma geral, a classificação segue esta lógica:

  • Até 10 graus: não é considerada escoliose propriamente dita;
  • De 10 a 20 graus (leve): costuma exigir apenas acompanhamento e, muitas vezes, exercícios específicos;
  • De 20 a 40 graus (moderada): pode indicar fisioterapia e, em pacientes em crescimento, o uso de colete;
  • Acima de 40 a 50 graus (grave): pode ter indicação cirúrgica, avaliada caso a caso.

É fundamental entender que esses números são apenas uma orientação. O ângulo de Cobb não define o tratamento sozinho: a decisão sempre considera a idade, o potencial de crescimento, os sintomas e o risco de progressão. Por isso, a interpretação deve ser sempre feita pelo médico especialista.

Sintomas e diagnóstico

Na maioria dos casos, sobretudo nas curvas leves, a condição não causa dor. Ela costuma ser percebida por sinais visuais de assimetria do corpo, como: ombros em alturas diferentes, uma escápula (omoplata) mais saliente que a outra, a cintura desigual, ou uma inclinação do tronco para um lado.

Um teste clínico simples ajuda a identificá-la: o Teste de Adams, em que a pessoa se inclina para a frente, com os braços soltos. Nessa posição, fica mais fácil notar uma elevação (gibosidade) de um lado das costas, sinal da rotação das vértebras. A confirmação e a medida da curva são feitas pela radiografia da coluna. Em adultos, a forma degenerativa pode se manifestar com dor nas costas e, às vezes, sintomas de compressão de nervos, como os que aparecem na dor lombar.

Como é o tratamento

O tratamento é totalmente individualizado e depende do tipo, do grau da curva, da idade e do potencial de crescimento. As principais abordagens, do caso mais leve ao mais grave, são:

  • Observação: em curvas leves, especialmente em quem ainda está crescendo, o acompanhamento periódico com radiografias verifica se a curva progride;
  • Exercícios específicos e fisioterapia: métodos de fisioterapia desenvolvidos especificamente para essa condição ajudam no controle postural e podem auxiliar a conter a progressão. Exercícios genéricos de postura têm efeito limitado;
  • Colete ortopédico: indicado em curvas moderadas em pacientes ainda em crescimento. Um ponto essencial: o colete não corrige a curva já existente, mas ajuda a impedir que ela piore enquanto a coluna cresce;
  • Cirurgia: reservada aos casos graves (geralmente acima de 40 a 50 graus) ou de progressão importante. A técnica mais comum é a artrodese, que estabiliza e corrige a coluna.

O objetivo do tratamento é sempre garantir a qualidade de vida, controlando a progressão e prevenindo complicações, e isso é plenamente possível na grande maioria dos casos. A definição da melhor conduta deve ser feita por um especialista. Um neurocirurgião em São Paulo ou especialista em coluna pode avaliar cada caso. Informações sobre a saúde da coluna também podem ser consultadas junto à Sociedade Brasileira de Coluna (SBC).

Conviver com a escoliose

Para a maioria das pessoas, especialmente com curvas leves e moderadas bem acompanhadas, a condição não impede uma vida plena, com atividades físicas e rotina normais. O acompanhamento regular durante a fase de crescimento é o que permite agir a tempo, caso a curva progrida.

Vale mencionar um aspecto que costuma ser esquecido: em adolescentes, a doença e o seu tratamento podem afetar a autoimagem e a autoestima. Esse lado emocional merece atenção e acolhimento, e o apoio da família faz diferença. Com diagnóstico adequado, acompanhamento e o tratamento certo para cada caso, a grande maioria das pessoas com escoliose vive muito bem. Diante de sinais de assimetria do corpo ou de um diagnóstico de escoliose, a recomendação é buscar avaliação especializada.

Perguntas frequentes

O que é escoliose?

É um desvio lateral da coluna vertebral que forma uma curva em “S” ou “C”, vista de costas, associada a uma rotação das vértebras. Para ser considerada escoliose, o desvio precisa ter no mínimo 10 graus, medidos pelo ângulo de Cobb em uma radiografia.

O que causa a escoliose?

O tipo mais comum é o idiopático (cerca de 80% dos casos), que não tem causa conhecida e tem componente hereditário. Outros tipos são a congênita (presente ao nascer), a neuromuscular (ligada a doenças neurológicas) e a degenerativa do adulto (por desgaste). Não é causada por má postura ou mochila pesada.

A partir de quantos graus a escoliose precisa de cirurgia?

Em geral, a cirurgia é considerada em curvas acima de 40 a 50 graus, sobretudo em pacientes ainda em crescimento ou com progressão importante. Mas o número não define a cirurgia sozinho: a decisão é individualizada, considerando idade, sintomas e risco de progressão.

O colete corrige a escoliose?

Não. O colete ortopédico não corrige a curva já existente. Seu papel é impedir que a curva progrida durante a fase de crescimento, em curvas moderadas. Ele é usado sob orientação do especialista, que define o modelo e o tempo de uso diário.

Escoliose tem cura?

Depende do tipo e do grau. Muitos casos leves e moderados são bem controlados com fisioterapia e colete, evitando a progressão, e permitem uma vida plena. Casos graves podem ser corrigidos com cirurgia. O objetivo do tratamento é garantir a qualidade de vida, o que é possível na maioria dos casos.

Escoliose dói?

Na maioria dos casos, especialmente em curvas leves e na adolescência, a escoliose não causa dor. A dor é mais comum na escoliose degenerativa do adulto ou em curvas mais acentuadas. O sinal mais frequente costuma ser a assimetria visual do corpo, não a dor.

Neurocirurgião Especialista em Tumor Cerebral em São Paulo

Neurocirurgião
CREMESP: 241639  |  RQE: 117858

Neurocirurgião oncológico, especialista em tumores do cérebro e da coluna vertebral, com foco em cirurgia minimamente invasiva. É membro titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia e da Associação Médica Brasileira, possui publicações internacionais em neurocirurgia e neuro-oncologia, e recebeu o Prêmio Professor Elyseu Paglioli da SBN em 2023.

Foto de Clínica Neofoco
Clínica Neofoco