O oligodendroglioma é um tipo de tumor cerebral que pertence à família dos gliomas e se destaca por um detalhe importante: entre os gliomas difusos, costuma ser o que apresenta o prognóstico mais favorável. Ele se origina de células parecidas com os oligodendrócitos, responsáveis por produzir a substância que reveste e protege os neurônios. Apesar de ser relativamente raro, é um tumor com características próprias e bem definidas, que orientam o diagnóstico e o tratamento.
Neste artigo, você vai entender o que é um oligodendroglioma, quais sintomas pode causar, como funcionam os seus graus, qual o papel do marcador genético 1p/19q e como é feito o tratamento.
O que é um oligodendroglioma?
O oligodendroglioma é um tumor que se desenvolve a partir de células semelhantes aos oligodendrócitos, um tipo de célula glial responsável por produzir a mielina, a camada que reveste os neurônios e permite a transmissão eficiente dos impulsos nervosos. Por se originar dessas células gliais, o oligodendroglioma faz parte da família dos gliomas.
É um tumor relativamente raro, correspondendo a uma pequena parcela dos tumores cerebrais primários. Costuma surgir nos hemisférios cerebrais, com predileção pelos lobos frontais, e é mais frequente em adultos de meia-idade. Como outros gliomas difusos, tem caráter infiltrativo, ou seja, suas células tendem a se misturar ao tecido cerebral saudável ao redor.
Quais são os sintomas do oligodendroglioma?
Uma característica marcante do oligodendroglioma é que, em muitos casos, o primeiro sintoma é uma crise convulsiva. As convulsões são, de fato, a manifestação inicial mais comum desse tumor, muitas vezes em pessoas sem qualquer histórico anterior de epilepsia.
Além das convulsões, outros sintomas podem aparecer conforme a localização e o tamanho do tumor:
- Dor de cabeça persistente ou diferente do habitual;
- Alterações na fala, na visão ou na força de um lado do corpo;
- Mudanças de comportamento, humor ou raciocínio;
- Dificuldades de memória ou concentração.
Em alguns casos, o tumor cresce tão lentamente que pode ser descoberto por acaso, em um exame de imagem feito por outro motivo. Como esses sintomas têm muitas causas mais comuns, o que merece atenção é a persistência e a combinação de sinais. Para saber quando investigar, veja o conteúdo sobre sintomas de tumor cerebral.
Os graus do oligodendroglioma
A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica o oligodendroglioma em dois graus, o que o diferencia de outros gliomas que vão do grau 1 ao 4:
- Grau 2: tumor de baixo grau, com células mais organizadas e crescimento mais lento.
- Grau 3: tumor com características mais agressivas, como maior densidade celular e divisões mais frequentes, associado a um prognóstico um pouco menos favorável. Antigamente, era chamado de oligodendroglioma anaplásico.
A passagem do grau 2 para o grau 3 costuma ser gradual, e a classificação leva em conta tanto a aparência das células quanto os achados genéticos. Para entender a lógica geral dos graus, veja nosso conteúdo sobre os graus do tumor cerebral.
O marcador 1p/19q: o que define um oligodendroglioma
Aqui está o ponto que torna o oligodendroglioma um tumor bem definido. Desde a classificação da OMS de 2021, o diagnóstico de oligodendroglioma exige a presença combinada de dois marcadores genéticos:
- A mutação no gene IDH (isocitrato desidrogenase);
- A codeleção 1p/19q, que é a perda combinada de partes específicas dos cromossomos 1 e 19.
Essa combinação não é apenas um detalhe técnico: é o critério obrigatório que define o tumor. Um glioma que tem mutação IDH mas não tem a codeleção 1p/19q é classificado como astrocitoma, e não como oligodendroglioma. Ou seja, é justamente esse marcador que separa os dois tumores.
Mais do que diferenciar, a presença da codeleção 1p/19q tem um significado prático importante: ela está associada a um prognóstico mais favorável e a uma boa resposta à quimioterapia. Por isso, a pesquisa desses marcadores é parte essencial do diagnóstico moderno.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico do oligodendroglioma combina:
- Ressonância magnética: principal exame de imagem, ajuda a localizar o tumor e a avaliar suas características.
- Tomografia computadorizada: em alguns casos, pode mostrar calcificações que são comuns nesse tipo de tumor.
- Análise do tecido (biópsia ou cirurgia): observação das células ao microscópio.
- Testes moleculares: pesquisa da mutação IDH e da codeleção 1p/19q, hoje indispensáveis para confirmar o diagnóstico.
A confirmação definitiva depende, portanto, da combinação entre a análise das células e os testes genéticos.
Como é o tratamento do oligodendroglioma
O tratamento é individualizado e costuma envolver mais de uma abordagem, dependendo do grau, da localização e das características do tumor:
- Cirurgia: geralmente o primeiro passo. O objetivo é remover a maior quantidade possível do tumor preservando as funções neurológicas, e também obter material para o diagnóstico. Saiba mais sobre a cirurgia de tumor cerebral.
- Radioterapia: frequentemente indicada após a cirurgia, sobretudo nos tumores de grau 3 ou quando a remoção não foi completa.
- Quimioterapia: os oligodendrogliomas com codeleção 1p/19q costumam responder especialmente bem à quimioterapia, o que torna essa uma parte importante do tratamento.
A boa resposta à quimioterapia e à radioterapia é uma das razões pelas quais esse tumor tem, em geral, um prognóstico mais favorável do que outros gliomas difusos.
Oligodendroglioma tem cura?
O oligodendroglioma é considerado um tumor maligno, mas de comportamento mais indolente, ou seja, costuma crescer mais lentamente e responder melhor ao tratamento do que outros gliomas. Muitos pacientes convivem com a doença por muitos anos, com boa qualidade de vida.
A perspectiva depende de vários fatores: o grau do tumor, a presença dos marcadores moleculares, a idade do paciente, a extensão da cirurgia e a resposta às terapias. Cada caso é único, e apenas a equipe que acompanha o paciente pode estimar o prognóstico individual. Para entender como esses fatores se combinam, veja nosso conteúdo sobre se tumor cerebral tem cura.
Diante de um diagnóstico de oligodendroglioma ou de sintomas neurológicos persistentes, como uma primeira crise convulsiva, a recomendação é buscar a avaliação de um neurocirurgião em São Paulo. Informações oficiais sobre tumores do sistema nervoso central também podem ser consultadas no site do Instituto Nacional de Câncer (INCA).
Perguntas frequentes (FAQ)
Oligodendroglioma é câncer?
Sim, o oligodendroglioma é considerado um tumor maligno. No entanto, costuma ter comportamento mais lento e melhor resposta ao tratamento do que outros gliomas, o que se reflete em um prognóstico geralmente mais favorável.
Qual a diferença entre oligodendroglioma e astrocitoma?
A diferença é definida por marcadores genéticos. O oligodendroglioma tem a mutação IDH combinada com a codeleção 1p/19q. O astrocitoma tem a mutação IDH, mas não tem essa codeleção. Esse marcador é o que separa os dois tumores.
O que é a codeleção 1p/19q?
É a perda combinada de partes específicas dos cromossomos 1 e 19. Esse marcador é critério obrigatório para o diagnóstico de oligodendroglioma e está associado a um prognóstico mais favorável e a uma boa resposta à quimioterapia.
Qual o primeiro sintoma do oligodendroglioma?
A crise convulsiva é a manifestação inicial mais comum, muitas vezes em pessoas sem histórico de epilepsia. Dores de cabeça e alterações neurológicas também podem ocorrer conforme a localização do tumor.
Oligodendroglioma tem bom prognóstico?
Entre os gliomas difusos, o oligodendroglioma com codeleção 1p/19q costuma ter o prognóstico mais favorável, com boa resposta ao tratamento. Ainda assim, o resultado varia conforme o grau, a idade e outros fatores individuais.
Oligodendroglioma de grau 2 pode virar grau 3?
Pode. A progressão do grau 2 para o grau 3 costuma ser gradual ao longo do tempo. Por isso, o acompanhamento periódico com exames de imagem é parte importante do cuidado.





