Glioma: tipos, graus, sintomas e tratamento

Conteúdo revisado pelo Dr. Shiro Shimoakoishi, neurocirurgião especialista em tumores cerebrais e coluna.

Neurocirurgião analisa ressonância de glioma cerebral

O glioma é um dos tipos mais comuns de tumor cerebral e costuma gerar muitas dúvidas no momento do diagnóstico: é o mesmo que glioblastoma? É câncer? Tem cura? A resposta curta é que glioma não é um único tumor, mas uma família de tumores que se originam das células de sustentação do cérebro, as células gliais. Dentro dessa família existem tipos e graus diferentes, com comportamentos e prognósticos que variam bastante.

Neste artigo, você vai entender o que é um glioma, quais são os seus principais tipos, como funciona a classificação por graus, quais sintomas podem aparecer e quais são as opções de tratamento disponíveis hoje.

O que é um glioma?

Glioma é o nome dado ao grupo de tumores que se desenvolvem a partir das células gliais, as células que dão suporte e proteção aos neurônios no cérebro e na medula espinhal. Como essas células estão distribuídas por todo o sistema nervoso central, os gliomas podem surgir em diferentes regiões do cérebro.

Uma característica importante dos gliomas é que muitos deles têm comportamento infiltrativo: em vez de formar uma massa com bordas bem definidas, suas células tendem a se misturar ao tecido cerebral saudável ao redor. Isso influencia tanto os sintomas quanto as estratégias de tratamento, já que a remoção completa pode ser mais desafiadora do que em tumores bem delimitados.

Os gliomas representam uma parcela significativa dos tumores cerebrais primários, ou seja, daqueles que nascem no próprio cérebro, e não de metástases vindas de outros órgãos.

Quais são os tipos de glioma?

Os gliomas recebem nomes diferentes conforme o tipo de célula glial que lhes dá origem. Os principais são:

Astrocitoma

O astrocitoma origina-se dos astrócitos, células em formato de estrela que dão suporte estrutural e nutricional aos neurônios. É o tipo mais frequente de glioma e abrange um amplo espectro de comportamento, do grau 2 (baixo grau) ao grau 4 (alto grau).

Oligodendroglioma

O oligodendroglioma origina-se dos oligodendrócitos, células responsáveis por produzir a mielina que reveste os neurônios. Costuma ter crescimento mais lento e é mais comum nos lobos frontais. Tem características moleculares próprias que o diferenciam dos demais.

Glioblastoma

O glioblastoma é o glioma de grau 4, o mais agressivo e também o mais comum entre os gliomas em adultos. Cresce rapidamente e tem grande capacidade de infiltrar o tecido cerebral. Tem conteúdo próprio na Neofoco para quem deseja entender esse diagnóstico em detalhe.

Ependimoma

O ependimoma origina-se das células ependimárias, que revestem as cavidades do cérebro e o canal da medula espinhal. É menos comum em adultos, mas está entre os tumores cerebrais mais frequentes na infância.

Como os gliomas são classificados por grau

Além do tipo de célula de origem, os gliomas são classificados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em graus, que indicam a agressividade do tumor. De forma geral:

  • Gliomas de baixo grau (graus 1 e 2): crescem lentamente. Alguns podem permanecer estáveis por anos. Ainda assim, os de grau 2 têm caráter infiltrativo e podem evoluir para graus mais altos com o tempo.
  • Gliomas de alto grau (graus 3 e 4): crescem mais rápido, têm maior capacidade de invadir o tecido cerebral e exigem tratamento mais intensivo.

Uma mudança importante aconteceu na classificação da OMS publicada em 2021: o diagnóstico passou a considerar também as características moleculares e genéticas do tumor, e não apenas a sua aparência ao microscópio. Marcadores como a mutação no gene IDH e a chamada codeleção 1p/19q hoje fazem parte da definição do tipo de glioma e ajudam a prever o comportamento da doença com mais precisão. Na prática, isso permite diagnósticos mais exatos e tratamentos mais direcionados. Para entender melhor essa escala, veja nosso conteúdo sobre os graus do tumor cerebral.

Vale registrar que, segundo a classificação atual, os gliomas difusos do adulto foram organizados em três grandes grupos: astrocitoma com mutação IDH, oligodendroglioma com mutação IDH e codeleção 1p/19q, e glioblastoma sem mutação IDH. Essa organização molecular é um dos avanços mais relevantes dos últimos anos na neuro-oncologia.

Glioma é câncer? É benigno ou maligno?

Essa é uma das dúvidas mais comuns. No caso dos gliomas, muitos especialistas preferem falar em velocidade de crescimento e grau de agressividade, em vez de simplesmente “benigno” ou “maligno”, porque mesmo gliomas de crescimento lento podem ter caráter infiltrativo.

Na prática, os gliomas de baixo grau têm comportamento mais próximo do benigno, com crescimento lento, enquanto os de alto grau (como o glioblastoma) são considerados malignos. Mas a localização do tumor pesa tanto quanto o grau: um glioma de baixo grau em uma área crítica do cérebro pode causar sintomas importantes. Por isso, cada caso precisa de avaliação individual. Se quiser aprofundar essa distinção, veja nosso conteúdo sobre se tumor cerebral é maligno.

Quais são os sintomas de um glioma?

Os sintomas de um glioma são, em geral, os mesmos de outros tumores cerebrais, e dependem da localização, do tamanho e da velocidade de crescimento do tumor. Entre os mais comuns estão:

  • Dor de cabeça persistente ou diferente do padrão habitual;
  • Convulsões, mesmo em pessoas sem histórico de epilepsia;
  • Alterações na visão, como visão dupla ou embaçada;
  • Fraqueza ou dormência em um lado do corpo;
  • Dificuldades de fala, memória ou concentração;
  • Mudanças de humor, comportamento ou personalidade;
  • Desequilíbrio e dificuldade de coordenação.

É importante lembrar que esses sintomas têm muitas outras causas mais comuns que um glioma. O que merece atenção é a persistência, a progressão e a combinação de vários sinais neurológicos. Para saber quando investigar, veja o conteúdo sobre sintomas de tumor cerebral.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico de um glioma combina avaliação clínica, exames de imagem e análise do tecido tumoral:

  • Ressonância magnética: principal exame para localizar o tumor, estimar seu tamanho e avaliar características que ajudam a sugerir o tipo e o grau.
  • Tomografia computadorizada: usada em situações específicas, como urgências.
  • Biópsia ou análise do tumor: retirada de uma amostra, durante cirurgia ou biópsia, para análise no microscópio.
  • Análise molecular: investiga marcadores genéticos (como IDH e 1p/19q) que, na classificação atual, são parte essencial do diagnóstico.

É a combinação desses exames que define com precisão o tipo e o grau do glioma, o que orienta toda a estratégia de tratamento.

Como é o tratamento do glioma

O tratamento de um glioma é individualizado e costuma envolver mais de uma abordagem, dependendo do tipo, do grau, da localização e das condições clínicas do paciente. As principais opções são:

  • Cirurgia: geralmente o primeiro passo, busca remover a maior quantidade possível do tumor preservando as funções neurológicas. Também fornece o material para o diagnóstico definitivo. Saiba mais sobre a cirurgia de tumor cerebral.
  • Radioterapia: usa radiação para destruir células tumorais, frequentemente após a cirurgia, sobretudo em gliomas de alto grau.
  • Quimioterapia: indicada principalmente nos gliomas de alto grau, pode ser combinada às demais abordagens. Em alguns tipos, o perfil molecular ajuda a prever a resposta ao tratamento.

Em gliomas de baixo grau, pequenos e assintomáticos, em certos casos o acompanhamento com exames periódicos pode ser uma opção inicial, sempre sob avaliação especializada.

Glioma tem cura?

A possibilidade de cura ou de controle de um glioma depende, sobretudo, do tipo e do grau do tumor. Gliomas de baixo grau, quando podem ser removidos por completo, têm prognóstico mais favorável. Já os gliomas de alto grau, como o glioblastoma, costumam ter prognóstico mais reservado, e o foco do tratamento muitas vezes é controlar a doença e preservar a qualidade de vida.

Os avanços no diagnóstico molecular e nas técnicas cirúrgicas têm melhorado os resultados ao longo dos anos. Para entender como tipo, grau e tratamento influenciam as chances de cura, veja nosso conteúdo específico sobre se tumor cerebral tem cura.

Diante de um diagnóstico de glioma ou de sintomas neurológicos persistentes, a recomendação é buscar a avaliação de um neurocirurgião em São Paulo para definir o melhor caminho para cada caso. Informações oficiais sobre tumores do sistema nervoso central também podem ser consultadas no site do Instituto Nacional de Câncer (INCA).

Perguntas frequentes (FAQ)

Glioma é o mesmo que glioblastoma?

Não exatamente. Glioma é o nome da família de tumores que se originam das células gliais. O glioblastoma é um tipo específico de glioma, o de grau 4, considerado o mais agressivo. Ou seja, todo glioblastoma é um glioma, mas nem todo glioma é glioblastoma.

Glioma é câncer?

Os gliomas de alto grau são considerados malignos. Já os de baixo grau têm comportamento mais próximo do benigno, com crescimento lento, embora possam ser infiltrativos. Em muitos casos, os especialistas preferem classificar os gliomas por grau de agressividade do que apenas como benigno ou maligno.

Qual é o glioma mais comum?

O astrocitoma é o tipo mais frequente de glioma. Entre os gliomas de alto grau em adultos, o glioblastoma é o mais comum.

Glioma de baixo grau pode virar de alto grau?

Pode. Alguns gliomas de baixo grau, especialmente os de grau 2, têm potencial de evoluir para graus mais agressivos ao longo do tempo. Por isso, o acompanhamento periódico com exames de imagem é fundamental.

Como o médico sabe qual é o tipo de glioma?

O tipo é definido pela análise do tecido do tumor, obtido por cirurgia ou biópsia, combinada à análise molecular. A classificação atual da OMS usa marcadores genéticos, como a mutação IDH e a codeleção 1p/19q, para definir o tipo com precisão.

Glioma tem cura?

Depende do tipo e do grau. Gliomas de baixo grau removidos por completo têm prognóstico mais favorável, enquanto os de alto grau costumam exigir tratamento contínuo para controle. Cada caso deve ser avaliado individualmente.

Neurocirurgião Especialista em Tumor Cerebral em São Paulo

Neurocirurgião
CREMESP: 241639  |  RQE: 117858

Neurocirurgião oncológico, especialista em tumores do cérebro e da coluna vertebral, com foco em cirurgia minimamente invasiva. É membro titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia e da Associação Médica Brasileira, possui publicações internacionais em neurocirurgia e neuro-oncologia, e recebeu o Prêmio Professor Elyseu Paglioli da SBN em 2023.

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