Discopatia Degenerativa: o que é, sintomas e tratamento

Conteúdo revisado pelo Dr. Shiro Shimoakoishi, neurocirurgião especialista em tumores cerebrais e coluna.

Discopatia Degenerativa: o que é, sintomas e tratamento

Discopatia degenerativa é o nome dado ao desgaste progressivo dos discos que ficam entre as vértebras da coluna, um processo que faz parte do envelhecimento natural da coluna vertebral. Na maioria das pessoas, esse desgaste não causa sintoma nenhum, mas em alguns casos ele pode levar a dor, rigidez e outras alterações estruturais, como hérnia de disco e estenose de canal.

O que é discopatia degenerativa

Os discos intervertebrais funcionam como amortecedores entre as vértebras, permitindo que a coluna se movimente com flexibilidade. Com o passar dos anos, esses discos perdem parte da hidratação e da elasticidade, tornando-se mais finos e menos eficientes na absorção de impacto. Esse processo é o que caracteriza esse tipo de desgaste.

Apesar do nome, esse quadro não é propriamente uma doença, e sim uma alteração estrutural relacionada ao envelhecimento, presente em graus variados na grande maioria dos adultos a partir dos 40 anos. Exames de imagem feitos por outros motivos frequentemente mostram sinais desse desgaste em pessoas que nunca sentiram dor nas costas.

Sintomas da discopatia degenerativa

Na maior parte dos casos, esse desgaste é assintomático. Quando causa sintomas, eles costumam incluir:

  • Dor localizada: dor na região lombar ou cervical, que piora ao ficar muito tempo sentado, ao se curvar ou ao levantar peso.
  • Rigidez matinal: sensação de coluna “travada” ao acordar, que tende a melhorar com o movimento ao longo do dia.
  • Dor que piora e melhora: períodos de crise, com dor mais intensa por dias ou semanas, alternados com períodos de melhora significativa.
  • Dor irradiada: quando o desgaste do disco leva à compressão de uma raiz nervosa, a dor pode se espalhar para o braço ou para a perna, configurando um quadro de radiculopatia.

A intensidade dos sintomas nem sempre corresponde ao grau de desgaste visto na ressonância. É comum encontrar esse desgaste avançado em exames de pessoas com pouca ou nenhuma dor, e o contrário também acontece.

Causas e fatores de risco

O principal fator por trás desse desgaste é o próprio envelhecimento, mas alguns fatores aceleram esse processo:

  • Idade: o desgaste discal é progressivo e se torna mais comum a partir da quarta década de vida.
  • Sobrecarga mecânica: esforço físico repetitivo, levantamento de peso incorreto e sedentarismo combinado com má postura aumentam a pressão sobre os discos.
  • Tabagismo: reduz a irrigação sanguínea dos discos intervertebrais, acelerando a perda de hidratação.
  • Excesso de peso: aumenta a carga sobre a coluna lombar ao longo do tempo.
  • Genética: histórico familiar de problemas discais pode predispor a um desgaste mais precoce.

Com o avanço desse processo, esse desgaste pode evoluir para outras alterações estruturais, como a hérnia de disco, quando o núcleo do disco desgastado extravasa e comprime uma estrutura nervosa próxima.

Discopatia degenerativa lombar e cervical

Esse desgaste pode acometer qualquer segmento da coluna, mas é mais comum em duas regiões:

  • Discopatia degenerativa lombar: ocorre na parte baixa da coluna, região que suporta a maior carga do corpo e por isso é a mais afetada. Pode estar associada a dor lombar persistente e, em estágios mais avançados, a estenose do canal vertebral.
  • Discopatia degenerativa cervical: ocorre no pescoço e pode causar dor local, rigidez e, quando há compressão nervosa associada, dor irradiada para o ombro e o braço.

Quando o desgaste discal lombar está associado a dor persistente, vale entender melhor as possíveis causas de dor lombar, já que esse desgaste é apenas uma delas.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico começa pela avaliação clínica: características da dor, fatores que pioram ou aliviam os sintomas e histórico de esforços físicos ou lesões prévias. O exame físico ajuda a identificar se há sinais de compressão nervosa associada.

A ressonância magnética é o exame de escolha para confirmar o grau de desgaste discal e identificar alterações associadas, como protrusões, hérnias ou estreitamento do canal vertebral. É importante lembrar que achados desse tipo na ressonância são extremamente comuns e nem sempre explicam a dor relatada pelo paciente, por isso a correlação entre exame de imagem e quadro clínico é essencial.

CID da discopatia degenerativa

Na Classificação Internacional de Doenças (CID-10), esse desgaste costuma ser registrado sob o código M51 quando envolve outras regiões da coluna além da cervical, que é classificada separadamente sob o código M50. O código exato depende da localização do desgaste e de eventuais complicações associadas, e deve ser sempre definido pelo médico responsável pelo caso.

Tratamento da discopatia degenerativa

Como esse desgaste faz parte do processo natural de envelhecimento da coluna, o tratamento é voltado ao controle dos sintomas e à prevenção de complicações, não à reversão do desgaste em si:

  • Tratamento conservador: fisioterapia para fortalecimento da musculatura de apoio à coluna, orientação postural, atividade física regular e analgésicos ou anti-inflamatórios em fases de crise.
  • Controle de fatores de risco: parar de fumar, manter peso adequado e adaptar atividades que sobrecarregam a coluna ajudam a desacelerar a progressão do desgaste.
  • Acompanhamento de complicações: quando o desgaste evolui para hérnia de disco ou estenose de canal com sintomas relevantes, o acompanhamento especializado ajuda a decidir o momento certo de intensificar o tratamento.
  • Cirurgia: reservada para os casos com compressão nervosa importante, dor incapacitante sem resposta ao tratamento conservador, ou sinais neurológicos progressivos.

A grande maioria dos casos é bem controlada sem cirurgia. O acompanhamento médico serve principalmente para identificar precocemente sinais de que o quadro está evoluindo para uma complicação que exija outra abordagem.

Perguntas frequentes sobre discopatia degenerativa

Discopatia degenerativa tem cura?

Como é um processo natural de desgaste, não existe reversão completa do quadro. O objetivo do tratamento é controlar os sintomas e evitar que o desgaste evolua para complicações, e a maioria das pessoas convive bem com esse achado ao longo da vida.

Discopatia degenerativa é grave?

Na maioria das vezes, não. É um achado extremamente comum a partir de determinada idade e, na maior parte dos casos, não causa incapacidade. A gravidade depende de eventuais complicações associadas, como hérnia de disco ou estenose de canal com compressão nervosa relevante.

Qual a diferença entre discopatia degenerativa e hérnia de disco?

Esse desgaste progressivo do disco intervertebral é diferente da hérnia de disco, que é uma possível consequência dele, quando o núcleo do disco extravasa e comprime uma estrutura nervosa próxima. Nem sempre esse desgaste evolui para hérnia de disco.

Quem tem discopatia degenerativa pode fazer atividade física?

Sim, e geralmente é recomendado. A atividade física regular, orientada por um profissional, fortalece a musculatura de apoio à coluna e costuma reduzir os sintomas, desde que respeitados os limites individuais de cada caso.

Quando procurar um neurocirurgião por causa da discopatia degenerativa?

Quando a dor persiste apesar do tratamento conservador, quando surgem sintomas de compressão nervosa, como dor irradiada, formigamento ou fraqueza, ou diante de sinais de alerta que indiquem uma complicação mais séria. Um neurocirurgião especializado em coluna pode avaliar o grau de desgaste e indicar a conduta mais adequada.

Quando marcar uma consulta

Um achado isolado desse tipo de desgaste em exame de imagem, sem sintomas relevantes, geralmente não exige tratamento. Já a presença de dor persistente, rigidez que não melhora, ou sinais de compressão nervosa como os vistos na radiculopatia, merece avaliação especializada. Identificar se o desgaste já evoluiu para uma hérnia de disco ou para uma estenose de canal lombar é o que permite direcionar o tratamento de forma adequada.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica presencial. Cada caso deve ser investigado individualmente por um profissional qualificado.

Fonte de referência: Manual MSD

Neurocirurgião Especialista em Tumor Cerebral em São Paulo

Neurocirurgião
CREMESP: 241639  |  RQE: 117858

Neurocirurgião oncológico, especialista em tumores do cérebro e da coluna vertebral, com foco em cirurgia minimamente invasiva. É membro titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia e da Associação Médica Brasileira, possui publicações internacionais em neurocirurgia e neuro-oncologia, e recebeu o Prêmio Professor Elyseu Paglioli da SBN em 2023.