Radiculopatia: o que é, sintomas e tratamento

Conteúdo revisado pelo Dr. Shiro Shimoakoishi, neurocirurgião especialista em tumores cerebrais e coluna.

Radiculopatia: o que é, sintomas e tratamento

Radiculopatia é o nome médico dado à compressão ou irritação de uma raiz nervosa na coluna vertebral, o que pode causar dor, formigamento, dormência e fraqueza ao longo do trajeto do nervo afetado. Ela não é uma doença isolada, e sim um quadro que pode ter várias causas, sendo a hérnia de disco e a estenose de canal lombar as mais comuns.

O que é radiculopatia

Cada nervo que sai da coluna vertebral nasce de uma raiz nervosa, na altura de cada vértebra. Quando essa raiz é comprimida ou irritada, seja por um disco herniado, por um estreitamento do canal vertebral ou por outra alteração estrutural, o sinal elétrico que passa por ela fica alterado. É essa alteração que gera os sintomas descritos a seguir.

Por afetar uma raiz específica, esse tipo de compressão costuma seguir um padrão bem definido: os sintomas aparecem na região do corpo que aquele nervo em particular alimenta, e não de forma espalhada. Esse é um dos pontos que a diferencia de outras condições neurológicas mais generalizadas.

Sintomas da radiculopatia

Os sintomas variam de pessoa para pessoa, mas costumam seguir o trajeto do nervo comprometido:

  • Dor irradiada: dor que começa perto da coluna e desce (ou sobe) pelo trajeto do nervo, como no braço, na mão, na perna ou no pé, dependendo da raiz afetada.
  • Formigamento e dormência: sensação de “agulhadas” ou perda parcial de sensibilidade na mesma região da dor irradiada.
  • Fraqueza muscular: dificuldade para fazer força com um grupo muscular específico, como segurar objetos, levantar a ponta do pé ou subir escadas.
  • Reflexos diminuídos: percebidos no exame físico, quando o médico testa os reflexos tendinosos da região afetada.
  • Piora com determinados movimentos: tossir, espirrar ou fazer esforço costuma intensificar a dor, porque aumenta a pressão sobre a raiz comprimida.

Nem sempre esse quadro causa dor intensa. Em alguns casos, o sintoma predominante é a fraqueza ou a dormência, com pouca ou nenhuma dor associada, o que às vezes atrasa o diagnóstico.

Radiculopatia cervical e radiculopatia lombar

Esse quadro recebe um nome diferente conforme a região da coluna onde a raiz nervosa é comprimida:

  • Radiculopatia cervical: ocorre no pescoço e costuma causar dor, formigamento ou fraqueza que se espalha para o ombro, o braço e a mão. Está associada a alterações como hérnia de disco cervical e espondilose cervical.
  • Radiculopatia lombar: é o tipo mais comum e ocorre na região lombar, causando sintomas que descem pela nádega, pela perna e, em alguns casos, até o pé. Quando o nervo comprimido é o ciático, o quadro costuma ser descrito como dor ciática.

Existe ainda uma forma torácica, na região do meio das costas, mas ela é bem menos frequente que as duas anteriores.

Causas da radiculopatia

Esse quadro é sempre um efeito de outra alteração na coluna, nunca uma causa em si. As mais comuns incluem:

  • Hérnia de disco: quando o disco entre as vértebras sai do lugar e pressiona a raiz nervosa próxima. É uma das causas mais frequentes desse tipo de compressão nervosa, tanto na coluna cervical quanto na lombar. Saiba mais sobre hérnia de disco.
  • Estenose de canal: um estreitamento progressivo do canal por onde passam os nervos, geralmente ligado ao envelhecimento natural da coluna. Veja mais sobre estenose de canal lombar.
  • Espondilose e osteófitos: o desgaste das articulações da coluna pode formar pequenos “bicos de papagaio” que estreitam o espaço por onde a raiz nervosa passa.
  • Listese: deslizamento de uma vértebra sobre a outra, que também pode comprimir a raiz nervosa na saída da coluna.
  • Causas menos comuns: tumores, infecções ou alterações inflamatórias na coluna, que exigem investigação específica.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico começa com uma consulta detalhada: onde a dor ou o formigamento aparecem, se existe fraqueza, o que piora e o que alivia os sintomas. No exame físico, o médico avalia a força muscular, os reflexos e a sensibilidade, o que já ajuda a apontar qual raiz nervosa está envolvida.

A ressonância magnética é o exame mais indicado para confirmar a causa desse quadro, porque mostra com detalhe os discos, as raízes nervosas e o canal vertebral. Em alguns casos, a eletroneuromiografia complementa a avaliação, medindo a condução elétrica do nervo e ajudando a confirmar (ou descartar) a compressão.

CID da radiculopatia

Na Classificação Internacional de Doenças (CID-10), esse quadro costuma ser registrado sob o código M54.1, usado quando o médico identifica a compressão de raiz nervosa sem especificar detalhadamente a causa estrutural. Quando a causa já está definida, como uma hérnia de disco, o médico pode optar por um código mais específico, que combina a alteração estrutural com o comprometimento da raiz nervosa. O código exato utilizado no laudo ou atestado deve ser sempre definido pelo médico responsável pelo caso, de acordo com a avaliação clínica.

Tratamento da radiculopatia

O tratamento é direcionado à causa que está comprimindo a raiz nervosa, e a maioria dos casos responde bem a medidas conservadoras:

  • Tratamento conservador: fisioterapia para fortalecimento e mobilidade, anti-inflamatórios e analgésicos em fases de crise, e, em alguns casos, infiltração guiada por imagem para reduzir a inflamação ao redor da raiz nervosa.
  • Acompanhamento da evolução: o médico reavalia periodicamente a força muscular e a intensidade dos sintomas, já que a piora progressiva é um dos principais sinais de que o tratamento conservador pode não ser suficiente.
  • Cirurgia: indicada quando há fraqueza progressiva, ausência de resposta ao tratamento conservador em um prazo razoável, ou perda de controle da bexiga ou do intestino, que pode indicar uma compressão mais grave. O objetivo é descomprimir a raiz nervosa antes que o dano se torne permanente.

A maior parte dos casos melhora com tratamento conservador, sem necessidade de cirurgia. Cada caso deve ser avaliado individualmente, considerando a intensidade dos sintomas, o tempo de evolução e a resposta ao tratamento inicial.

Perguntas frequentes sobre radiculopatia

Radiculopatia tem cura?

Na maioria dos casos, os sintomas melhoram significativamente com tratamento adequado, principalmente quando a causa é identificada e tratada cedo. O tempo de recuperação varia conforme a causa, a intensidade da compressão e o tempo de evolução do quadro.

Esse quadro é grave?

Na maior parte das vezes, não. A maioria dos casos responde bem a tratamento conservador. Alguns sinais, como fraqueza progressiva ou alteração no controle da bexiga e do intestino, merecem avaliação médica sem demora.

Qual a diferença entre esse quadro e a neuropatia?

Esse tipo de compressão afeta uma raiz nervosa específica, ainda dentro ou próximo da coluna vertebral, e por isso segue um trajeto bem definido. A neuropatia, por sua vez, afeta os nervos periféricos de forma mais ampla e costuma ter causas diferentes, como diabetes.

Esse quadro na região lombar sempre precisa de cirurgia?

Não. A cirurgia é reservada para os casos em que o tratamento conservador não trouxe melhora, quando há fraqueza progressiva ou diante de sinais de alerta específicos. Boa parte desses casos melhora sem necessidade de operação.

Quando procurar um neurocirurgião por causa desses sintomas?

Sempre que persistirem por várias semanas apesar do tratamento inicial, quando houver fraqueza que piora com o tempo, ou diante de sinais de alerta como alteração no controle da bexiga ou do intestino. Um neurocirurgião especializado em coluna pode avaliar a causa exata da compressão nervosa e indicar o tratamento mais adequado.

Quando marcar uma consulta

Sintomas de radiculopatia que persistem, que pioram progressivamente ou que vêm acompanhados de fraqueza muscular merecem avaliação especializada. Identificar a causa exata, seja uma hérnia de disco, uma estenose de canal lombar ou outra alteração da coluna, é o que permite direcionar o tratamento de forma adequada. Quando o quadro está associado a dor lombar persistente, vale também entender melhor as causas de dor lombar.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica presencial. Cada caso deve ser investigado individualmente por um profissional qualificado.

Fonte de referência: Manual MSD

Neurocirurgião Especialista em Tumor Cerebral em São Paulo

Neurocirurgião
CREMESP: 241639  |  RQE: 117858

Neurocirurgião oncológico, especialista em tumores do cérebro e da coluna vertebral, com foco em cirurgia minimamente invasiva. É membro titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia e da Associação Médica Brasileira, possui publicações internacionais em neurocirurgia e neuro-oncologia, e recebeu o Prêmio Professor Elyseu Paglioli da SBN em 2023.