O ependimoma é um tipo de tumor que pode surgir tanto no cérebro quanto na medula espinhal, e tem uma característica que o torna particular: seu comportamento, seus sintomas e seu tratamento mudam bastante conforme a idade do paciente e a região onde ele aparece. Em crianças, costuma surgir dentro do cérebro; em adultos, é mais frequente na medula espinhal. Entender essa diferença é o primeiro passo para compreender o diagnóstico.
Neste artigo, você vai entender o que é um ependimoma, onde ele costuma aparecer, quais sintomas pode causar em cada localização, como funcionam os seus graus e como é feito o tratamento.
Principais conclusões
- O ependimoma se origina das células ependimárias, que revestem as cavidades do cérebro (ventrículos) e o canal central da medula espinhal.
- A localização muda com a idade: em crianças predomina no cérebro (fossa posterior), enquanto em adultos é mais comum na medula espinhal.
- Os sintomas dependem diretamente de onde o tumor está, e por isso variam de dores de cabeça e desequilíbrio a dor nas costas e alterações motoras.
- A Organização Mundial da Saúde classifica o ependimoma por graus, e a classificação atual considera também as características moleculares do tumor.
- O tratamento é individualizado e costuma combinar cirurgia e, conforme o caso, radioterapia, com acompanhamento de longo prazo.
Índice
O que é um ependimoma?
O ependimoma é um tumor que se desenvolve a partir das células ependimárias, um tipo de célula que reveste o sistema de cavidades do sistema nervoso central. Essas células forram os ventrículos cerebrais (os espaços internos do cérebro por onde circula o líquido cefalorraquidiano) e o canal central da medula espinhal. É justamente por isso que o ependimoma pode surgir em qualquer ponto desse trajeto, do cérebro à coluna.
Por se originar de uma célula de sustentação do sistema nervoso, o ependimoma é classificado dentro da grande família dos gliomas. É considerado um tumor relativamente raro, correspondendo a uma pequena parcela dos tumores cerebrais primários, mas tem importância especial por ser um dos tumores mais comuns na infância.
Onde o ependimoma aparece: a importância da localização
Diferentemente de outros tumores, no ependimoma a localização é tão importante quanto o próprio diagnóstico, porque ela define os sintomas, a estratégia de tratamento e muda conforme a idade. O tumor pode aparecer em três regiões principais:
| Localização | Onde fica | Mais comum em |
|---|---|---|
| Fossa posterior (infratentorial) | Parte de baixo e de trás do crânio, perto do cerebelo e do tronco cerebral | Crianças |
| Supratentorial | Parte de cima do cérebro, nos hemisférios cerebrais | Crianças e adultos |
| Medula espinhal | Ao longo do canal da coluna vertebral | Adultos |
Essa distribuição explica uma característica marcante do ependimoma: em crianças, a grande maioria dos casos é intracraniana, com predomínio na fossa posterior. Já em adultos, mais da metade dos casos ocorre na medula espinhal. Por isso, falar em “ependimoma” sem considerar a localização e a idade é incompleto, cada combinação tem um comportamento próprio.
Quais são os sintomas do ependimoma?
Como o ependimoma pode surgir em diferentes regiões, os sintomas variam conforme o local afetado. Essa é a chave para entender o quadro clínico.
Ependimoma da fossa posterior. Por ficar perto das estruturas que drenam o líquido cefalorraquidiano, costuma causar sintomas de aumento da pressão intracraniana: dores de cabeça (em geral piores pela manhã), náuseas, vômitos, além de desequilíbrio e dificuldade de coordenação. Em bebês, pode haver irritabilidade, atraso no desenvolvimento e aumento do perímetro da cabeça.
Ependimoma supratentorial. Por estar nos hemisférios cerebrais, pode provocar convulsões, dores de cabeça, alterações de comportamento ou personalidade, dificuldades de concentração e déficits neurológicos focais, como fraqueza em uma parte do corpo.
Ependimoma da medula espinhal. Tende a causar dor nas costas, dor que irradia, fraqueza progressiva nos membros e, em alguns casos, alterações no controle da bexiga e do intestino.
Vale lembrar que esses sintomas têm muitas causas mais comuns que um ependimoma. O que merece atenção é a persistência e a progressão dos sinais. Para saber quando investigar, veja o conteúdo sobre sintomas de tumor cerebral.
Os graus do ependimoma
A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica os ependimomas por graus, conforme o comportamento das células. De forma geral:
- Grau 1: formas de crescimento mais lento, como o subependimoma e o ependimoma mixopapilar (este último mais comum na porção final da medula). Costumam ter comportamento mais indolente.
- Grau 2: o ependimoma clássico, que pode ocorrer tanto no cérebro quanto na medula, com crescimento moderado.
- Grau 3: o ependimoma anaplásico, de comportamento mais agressivo e com maior tendência a recidiva.
A classificação atual da OMS, atualizada em 2021, passou a considerar também as características moleculares do tumor, e não apenas a sua aparência ao microscópio. Hoje sabe-se que ependimomas de uma mesma região podem ter subtipos moleculares diferentes, com comportamentos distintos, o que ajuda a refinar o prognóstico e o tratamento. Para entender a lógica geral dessa escala, veja nosso conteúdo sobre os graus do tumor cerebral.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico do ependimoma combina avaliação clínica, exames de imagem e análise do tecido:
- Ressonância magnética: principal exame, permite localizar o tumor e avaliar suas características. Como o ependimoma pode se estender pelo trajeto do líquido cefalorraquidiano, muitas vezes é necessário avaliar todo o eixo do cérebro e da medula.
- Tomografia computadorizada: usada em situações específicas.
- Análise do tecido (biópsia ou cirurgia): essencial para definir o tipo e o grau com precisão.
- Análise molecular: investiga os subtipos do tumor, parte importante da classificação atual.
Como é o tratamento do ependimoma
O tratamento é individualizado e depende da localização, do grau e da idade do paciente. As principais abordagens são:
- Cirurgia: costuma ser o primeiro e principal passo. O objetivo é remover a maior quantidade possível do tumor com segurança, e a extensão dessa remoção é um dos fatores mais importantes para o resultado. Saiba mais sobre a cirurgia de tumor cerebral.
- Radioterapia: frequentemente indicada após a cirurgia, sobretudo quando a remoção completa não é possível ou em tumores de grau mais alto.
- Acompanhamento de longo prazo: o ependimoma exige seguimento prolongado com exames de imagem, pela possibilidade de recidiva.
No caso de crianças, o tratamento costuma envolver uma equipe multidisciplinar, com atenção especial ao desenvolvimento cognitivo e à reabilitação, já que tanto o tumor quanto o tratamento podem afetar funções em formação.
Ependimoma tem cura?
A perspectiva depende, sobretudo, da localização, do grau e de quanto do tumor pode ser removido na cirurgia. Quando a remoção é completa, especialmente em tumores de grau mais baixo, o prognóstico tende a ser mais favorável. Em casos de remoção parcial ou de tumores de grau mais alto, o tratamento combina cirurgia e radioterapia, com acompanhamento contínuo.
Como o ependimoma pode recidivar mesmo após anos, o seguimento de longo prazo é parte essencial do cuidado. Cada caso é único, e apenas a equipe que acompanha o paciente pode estimar o prognóstico individual. Para entender como esses fatores se combinam, veja nosso conteúdo sobre se tumor cerebral tem cura.
Diante de um diagnóstico de ependimoma ou de sintomas neurológicos persistentes, a recomendação é buscar a avaliação de um neurocirurgião em São Paulo para definir o melhor caminho. Informações oficiais sobre tumores do sistema nervoso central também podem ser consultadas no site do Instituto Nacional de Câncer (INCA).
Perguntas frequentes
Ependimoma é câncer?
O ependimoma é um tumor que, na maioria dos casos, é considerado maligno, embora alguns subtipos de grau 1 tenham comportamento mais indolente. O grau e a localização definem o comportamento e o tratamento de cada caso.
Ependimoma é mais comum em crianças ou adultos?
Ocorre em ambos, mas com diferenças. É um dos tumores cerebrais mais comuns na infância, geralmente surgindo dentro do cérebro. Em adultos, é mais raro e tende a aparecer na medula espinhal.
Qual a diferença entre ependimoma no cérebro e na medula?
A localização muda os sintomas e o tratamento. No cérebro, costuma causar sintomas de pressão intracraniana ou neurológicos; na medula, causa dor nas costas, fraqueza e alterações no controle da bexiga e do intestino.
Ependimoma tem cura?
Depende da localização, do grau e da extensão da remoção cirúrgica. Quando o tumor é removido por completo, o prognóstico tende a ser mais favorável. O acompanhamento de longo prazo é importante pela possibilidade de recidiva.
O que causa o ependimoma?
Na maioria dos casos, a causa é desconhecida. Sabe-se que há associação com uma condição genética chamada neurofibromatose tipo 2, especialmente nos ependimomas da medula espinhal, mas a maior parte dos casos ocorre sem causa identificável.
O ependimoma pode voltar depois do tratamento?
Pode. O ependimoma tem possibilidade de recidiva, às vezes anos após o tratamento inicial. Por isso, o acompanhamento prolongado com exames de imagem é parte fundamental do cuidado.
Como é o tratamento do ependimoma em crianças?
Envolve uma equipe multidisciplinar, geralmente com cirurgia como primeiro passo, podendo incluir radioterapia conforme o caso. Há atenção especial ao desenvolvimento cognitivo e à reabilitação, já que a criança está em fase de crescimento.





