O adenoma de hipófise é um tumor que se desenvolve na hipófise, uma pequena glândula localizada na base do cérebro que comanda boa parte do sistema hormonal do corpo. É um tumor comum e, na grande maioria dos casos, benigno, ou seja, não é câncer e não se espalha. Ainda assim, por afetar uma glândula tão importante, pode causar sintomas variados, desde alterações hormonais até problemas de visão. A boa notícia é que, com diagnóstico e tratamento adequados, a maioria das pessoas leva uma vida normal.
Neste artigo, você vai entender o que é um adenoma de hipófise, seus tipos, os sintomas que pode causar, como é feito o diagnóstico e quais são as opções de tratamento, que nem sempre envolvem cirurgia.
Principais conclusões
- O adenoma de hipófise é o tumor mais comum da hipófise e, na maioria dos casos, é benigno.
- Pode ser funcionante (produz hormônios em excesso) ou não funcionante (causa sintomas por compressão).
- Os sintomas variam de alterações hormonais a problemas de visão, dependendo do tipo e do tamanho.
- Nem todo adenoma precisa de cirurgia: alguns são tratados com medicamentos ou apenas acompanhados.
- Com o tratamento adequado, a maioria dos pacientes leva uma vida normal, com acompanhamento contínuo.
Índice
O que é a hipófise e o adenoma?
A hipófise é uma glândula do tamanho de uma ervilha, localizada em uma pequena cavidade óssea na base do cérebro, chamada sela túrcica. Apesar do tamanho, ela é considerada a “glândula mestra” do corpo, porque controla a produção de vários hormônios que regulam o crescimento, o metabolismo, a reprodução e a resposta ao estresse.
O adenoma de hipófise é um tumor que surge nas células dessa glândula. Trata-se de um tumor cerebral benigno na grande maioria dos casos, de crescimento lento. Ele é classificado pelo tamanho em microadenoma (menor que 10 mm) e macroadenoma (10 mm ou mais), e também de acordo com a produção ou não de hormônios, como veremos a seguir.
Tipos de adenoma de hipófise
A distinção mais importante é entre adenomas funcionantes e não funcionantes, porque ela define os sintomas e o tratamento:
- Adenomas funcionantes: produzem hormônios em excesso, causando sintomas específicos conforme o hormônio afetado.
- Adenomas não funcionantes: não produzem hormônios em excesso. Costumam causar sintomas apenas quando crescem e comprimem estruturas vizinhas, e muitas vezes são descobertos por acaso em exames de imagem.
Entre os adenomas funcionantes, existem tipos principais, conforme o hormônio produzido em excesso:
| Tipo | Hormônio em excesso | Efeitos característicos |
|---|---|---|
| Prolactinoma | Prolactina | É o mais comum. Alterações menstruais, produção de leite fora da amamentação, queda da libido e infertilidade. |
| Adenoma produtor de GH | Hormônio do crescimento | Acromegalia em adultos (crescimento de mãos, pés e traços do rosto) ou gigantismo em crianças. |
| Adenoma produtor de ACTH | ACTH (cortisol) | Doença de Cushing: ganho de peso, alterações na pele e na pressão arterial. |
| Adenoma produtor de TSH | TSH (tireoide) | Mais raro. Sintomas de excesso de hormônio da tireoide. |
O prolactinoma é o tipo funcionante mais comum e afeta especialmente mulheres em idade reprodutiva, embora também ocorra em homens.
Quais são os sintomas?
Os sintomas do adenoma de hipófise se dividem em dois grandes grupos, que podem ocorrer isolados ou combinados.
Sintomas hormonais. Quando o adenoma é funcionante, os sintomas dependem do hormônio produzido em excesso, como alterações menstruais, infertilidade, produção de leite fora da amamentação, mudanças no formato do rosto, mãos e pés, ganho de peso, ou alterações de pele e pressão. Em outros casos, o tumor pode reduzir a produção de hormônios, causando cansaço, fraqueza e outras alterações.
Sintomas por compressão. Quando o adenoma cresce, especialmente os macroadenomas, pode comprimir estruturas próximas. A mais importante é o nervo óptico, o que pode causar alterações visuais, sobretudo a perda da visão lateral (periférica). Dores de cabeça também podem ocorrer.
É a combinação desses sinais que costuma levar ao diagnóstico. Alterações visuais associadas a mudanças hormonais merecem investigação. Para conhecer o panorama mais amplo, veja o conteúdo sobre sintomas de tumor cerebral.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico do adenoma de hipófise combina três frentes:
- Ressonância magnética: principal exame de imagem, permite visualizar a hipófise em detalhe, avaliar o tamanho do tumor e sua relação com estruturas vizinhas.
- Exames hormonais: dosagens de sangue que avaliam se há excesso ou falta de hormônios, ajudando a identificar o tipo de adenoma.
- Avaliação oftalmológica: exame do campo visual, indicado quando há suspeita de compressão do nervo óptico.
Essa combinação permite não apenas confirmar o diagnóstico, mas também definir o tipo de adenoma e a melhor conduta.
Como é o tratamento
Um ponto importante é que nem todo adenoma de hipófise precisa de cirurgia. O tratamento é individualizado e depende do tipo, do tamanho e dos sintomas. As principais abordagens são:
- Acompanhamento: microadenomas não funcionantes, pequenos e sem sintomas, muitas vezes podem ser apenas monitorados com exames periódicos.
- Medicamentos: alguns tipos, em especial o prolactinoma, costumam responder muito bem a medicamentos, que podem reduzir os níveis hormonais e até diminuir o tamanho do tumor, sem necessidade de cirurgia.
- Cirurgia: quando indicada, a técnica mais comum é a via transesfenoidal, minimamente invasiva, na qual o neurocirurgião acessa a hipófise pelo nariz, sem abrir o crânio. É indicada em tumores que comprimem estruturas, que não respondem a medicamentos ou que causam produção hormonal excessiva. Saiba mais sobre a cirurgia de tumor cerebral.
- Radioterapia: reservada a casos específicos, como tumores que persistem ou retornam após a cirurgia.
A escolha entre essas opções é sempre feita de forma individualizada, considerando o quadro completo do paciente.
Adenoma de hipófise tem cura?
O adenoma de hipófise tem, em geral, bom prognóstico. Como a maioria é benigna e de crescimento lento, muitos pacientes são tratados com sucesso, seja com medicamentos, cirurgia ou acompanhamento. A maior parte das pessoas retoma uma vida normal após o tratamento adequado.
Ainda assim, existe possibilidade de recorrência, especialmente em tumores maiores, e por isso o acompanhamento de longo prazo, com exames de imagem e avaliação hormonal, é parte essencial do cuidado. Para entender como o prognóstico varia entre os diferentes tumores, veja nosso conteúdo sobre se tumor cerebral tem cura.
Diante de sintomas hormonais, alterações visuais ou de um diagnóstico de adenoma, a recomendação é buscar a avaliação de um especialista. Um neurocirurgião em São Paulo pode orientar, muitas vezes em conjunto com um endocrinologista. Informações oficiais sobre tumores do sistema nervoso central também podem ser consultadas no site do Instituto Nacional de Câncer (INCA).
Perguntas frequentes
Adenoma de hipófise é câncer?
Não. Na grande maioria dos casos, o adenoma de hipófise é um tumor benigno, de crescimento lento, que não se espalha para outras partes do corpo. Tumores malignos da hipófise são extremamente raros.
Adenoma de hipófise precisa de cirurgia?
Nem sempre. Muitos casos são tratados com medicamentos, especialmente o prolactinoma, ou apenas acompanhados quando são pequenos e sem sintomas. A cirurgia é indicada em situações específicas, como compressão de estruturas ou falta de resposta aos medicamentos.
Quais os sintomas de um tumor na hipófise?
Podem incluir alterações menstruais, infertilidade, produção de leite fora da amamentação, mudanças no formato do rosto, mãos e pés, ganho de peso e alterações visuais, especialmente a perda da visão lateral. Os sintomas variam conforme o tipo e o tamanho.
Prolactinoma tem cura?
O prolactinoma costuma responder muito bem ao tratamento medicamentoso, que pode controlar os níveis hormonais e reduzir o tumor. Muitos pacientes têm boa evolução, com acompanhamento contínuo para monitorar a resposta.
É possível engravidar com adenoma de hipófise?
Em muitos casos, sim. Mulheres com prolactinoma controlado frequentemente conseguem engravidar. O planejamento deve ser feito junto ao endocrinologista e ao ginecologista, com acompanhamento adequado.
O adenoma pode voltar depois da cirurgia?
Há possibilidade de recorrência, especialmente em tumores maiores. Por isso, o acompanhamento de longo prazo, com ressonância e avaliação hormonal, é fundamental mesmo após o tratamento.





