Abaulamento discal: O que é, CID, sintomas e tratamento

Conteúdo revisado pelo Dr. Shiro Shimoakoishi, neurocirurgião especialista em tumores cerebrais e coluna.

Abaulamento Discal

Abaulamento discal é a projeção do disco da coluna para além do seu limite normal, sem que o anel externo do disco se rompa. É um dos achados mais comuns na ressonância magnética, aparece mais na região lombar (L4-L5 e L5-S1) e muitas vezes não causa sintoma algum. Quando causa, o quadro típico é dor localizada, que pode irradiar para a perna se o disco encostar em um nervo. O CID costuma ficar na família M51, e o M51.2 é um dos mais usados, mas o código final é definido pelo médico. Na maioria dos casos o tratamento é conservador, com fisioterapia, exercícios e controle da dor, e a cirurgia fica para situações específicas.

Ler “abaulamento discal difuso” no laudo da ressonância assusta, principalmente porque o texto quase nunca explica o que isso significa na prática. Neste artigo, você vai entender o que é o abaulamento discal, como ele se diferencia da protrusão, da extrusão e da hérnia de disco, quais são os sintomas, o CID e o tratamento, além de saber quando vale procurar um neurocirurgião de coluna.

Principais conclusões

  • O abaulamento discal é um achado de imagem e não necessariamente uma doença que causa dor.
  • Ele é diferente da hérnia de disco: no abaulamento, o anel do disco continua íntegro.
  • Estudos com pessoas sem dor mostram que o abaulamento é muito frequente e aumenta com a idade.
  • O tratamento é quase sempre conservador, e a maioria das pessoas melhora em semanas a poucos meses.
  • Perda de força que piora, perda de controle da urina ou das fezes e dormência na região íntima são sinais de emergência.
  • Quem tem abaulamento discal pode, em geral, manter atividade física, desde que com orientação e ajuste de carga.

O que é abaulamento discal

O que é Abaulamento Discal

Entre uma vértebra e outra existe um disco intervertebral, que funciona como amortecedor. Ele tem duas partes: o núcleo, uma massa gelatinosa no centro, e o ânulo fibroso, um anel de fibras resistentes que envolve esse núcleo. No abaulamento discal, o disco se projeta de forma uniforme para fora da sua posição habitual, como um pneu que fica murcho e se alarga para os lados. O anel, porém, não se rompe e o núcleo permanece contido.

Na nomenclatura usada por radiologistas e especialistas de coluna, o abaulamento envolve mais de 25% da circunferência do disco. Por isso o laudo costuma usar palavras como “difuso” ou “global”, que indicam que a projeção é ampla e distribuída, e não pontual. Ele pode atingir qualquer nível da coluna, mas é mais frequente nos últimos discos lombares (L4-L5 e L5-S1) e nos discos cervicais baixos (C5-C6 e C6-C7), que são os que mais recebem carga e movimento.

Dúvidas sobre abaulamento discal?

Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta médica. Para avaliar o seu caso, agende uma consulta com o Dr. Shiro Shimoakoishi.

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É importante separar o achado do sintoma. O abaulamento discal é o que a imagem mostra. A dor, quando existe, depende de o disco estar inflamado, de um nervo estar comprimido ou de outras alterações associadas, como artrose das articulações da coluna ou estreitamento do canal.

Abaulamento discal, protrusão, extrusão e hérnia de disco

Os termos se misturam no dia a dia, mas descrevem situações diferentes. A tabela resume a diferença.

TermoO que aconteceObservação
Abaulamento discalO disco se projeta de forma ampla, em mais de 25% da circunferência, com o anel íntegroAchado muito comum, muitas vezes sem sintomas
Protrusão discalParte do núcleo empurra o anel em um ponto, com base largaConsiderada um tipo de hérnia de disco em que o anel ainda contém o material
Extrusão discalO material do disco rompe o anel e avança, com base estreitaMaior chance de comprimir um nervo
Sequestro discalUm fragmento se solta e se desloca no canalCostuma pedir avaliação mais rápida

Em resumo, a protrusão e a extrusão são tipos de hérnia de disco, e o abaulamento, tecnicamente, não é. Na prática, porém, o paciente ouve os termos de forma intercambiável, e o que define a conduta é o conjunto: sintomas, exame físico e a relação do disco com os nervos. Para entender a hérnia propriamente dita, veja também o artigo sobre hérnia de disco lombar.

Causas do abaulamento discal

Na maior parte das vezes, o abaulamento discal está ligado ao envelhecimento natural do disco, que perde água, altura e elasticidade com o passar dos anos. Esse processo é conhecido como discopatia degenerativa. Outros fatores aumentam a chance ou aceleram o processo:

  • Idade: o disco desidrata e fica menos flexível.
  • Sobrecarga repetida: levantar peso sem técnica e fazer movimentos frequentes de flexão e rotação do tronco.
  • Sedentarismo e fraqueza da musculatura do abdômen e do tronco.
  • Sobrepeso, que aumenta a carga sobre os discos lombares.
  • Tabagismo, associado a pior nutrição do disco.
  • Genética: há famílias com maior tendência à degeneração discal.
  • Trauma, como queda ou acidente.

Um dado ajuda a colocar o achado em perspectiva. Estudos de imagem em pessoas sem dor nas costas encontraram abaulamento discal em cerca de 30% dos adultos aos 20 anos e em mais de 80% aos 80 anos. Ou seja, ter abaulamento discal na ressonância não significa, por si só, que ele seja a causa da dor.

Sintomas do abaulamento discal

Muitas pessoas com abaulamento discal não têm sintoma nenhum, e o achado aparece por acaso em um exame pedido por outro motivo. Quando há sintomas, os mais comuns são:

  • Dor localizada na lombar ou no pescoço, que piora ao ficar muito tempo sentado ou ao se curvar.
  • Rigidez ao acordar ou depois de longos períodos parado.
  • Dor que irradia para a nádega, a coxa e a perna, na região lombar, ou para o ombro e o braço, na região cervical.
  • Formigamento ou sensação de choque no trajeto do nervo.
  • Sensação de fraqueza leve em um dos lados, quando há compressão de uma raiz nervosa.

Quando o abaulamento discal encosta ou comprime uma raiz nervosa, o quadro passa a ser chamado de radiculopatia, como acontece na dor ciática. Para entender melhor esse tipo de dor, veja os artigos sobre radiculopatia e lombociatalgia. O conjunto de sinais que merece atenção está em sintomas de hérnia de disco.

Abaulamento discal é grave?

Na maioria dos casos, não. O abaulamento discal leve, sem compressão de nervo, costuma ser benigno e responde ao tratamento conservador. A gravidade depende menos da palavra usada no laudo e mais de três fatores: se existe compressão de nervo ou da medula, se há déficit neurológico e se a dor é incapacitante.

Alguns sinais mudam esse cenário e pedem avaliação médica urgente:

  • perda de força que piora em poucos dias, como o pé que “cai” ou a dificuldade para levantar o braço;
  • perda de controle da urina ou das fezes;
  • dormência na região íntima e entre as pernas;
  • dor intensa que não alivia com repouso nem com analgésicos.

Os três primeiros podem indicar a síndrome da cauda equina, que é uma emergência cirúrgica. Nesses casos, não espere: procure um pronto-atendimento.

O que significam os termos do laudo

O laudo da ressonância usa linguagem técnica. Alguns termos aparecem com frequência junto ao abaulamento discal:

  • Difuso ou global: a projeção envolve boa parte da circunferência do disco.
  • Posterior, posterolateral ou foraminal: indica a direção. Os que vão para trás ou para o lado têm mais chance de se aproximar dos nervos.
  • Tocando ou retificando a face ventral do saco dural: o disco encosta no envoltório que protege a medula e as raízes nervosas, sem necessariamente comprimir.
  • Redução dos forames: o canal por onde sai o nervo está mais estreito.
  • L4-L5 e L5-S1: indicam o nível. O L5-S1 é o disco entre a última vértebra lombar e o sacro, e está entre os mais afetados.
  • Desidratação discal: o disco perdeu água, achado típico da degeneração.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Coluna, os achados de imagem devem ser avaliados em conjunto com os sintomas e o exame físico. Um abaulamento discal descrito como “discreto” em uma pessoa com dor forte, e outro descrito como “importante” em quem não tem queixa nenhuma, são situações comuns. Por isso o exame de imagem sozinho não define o tratamento.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico começa na consulta: história da dor, exame físico com testes de força, sensibilidade e reflexos e, quando necessário, exames de imagem. A ressonância magnética é o exame que melhor identifica o abaulamento discal, porque mostra com clareza o disco, os nervos e o canal. A tomografia e o raio-x avaliam ossos e alinhamento, mas não mostram bem o disco. A eletroneuromiografia pode ser pedida quando há dúvida sobre qual nervo está comprometido. Em geral, não é preciso pedir ressonância para toda dor lombar nas primeiras semanas, a menos que existam sinais de alerta.

Tratamento do abaulamento discal

O tratamento do abaulamento discal é, na grande maioria das vezes, conservador, e a maior parte das pessoas melhora ao longo de semanas a poucos meses. O plano é individual e costuma combinar:

  • Orientação e manutenção de atividade: o repouso prolongado atrapalha, e o ideal é manter movimentos leves.
  • Medicamentos prescritos pelo médico, como analgésicos e anti-inflamatórios, por tempo limitado. Veja mais em remédio para hérnia de disco.
  • Fisioterapia, com fortalecimento do abdômen e do tronco, alongamentos e correção postural. Veja fisioterapia para hérnia de disco.
  • Mudanças de rotina: ergonomia, pausas ao ficar sentado, controle de peso e abandono do cigarro.
  • Infiltrações guiadas, em casos selecionados em que a dor não cede e a origem está bem definida.

A cirurgia raramente é necessária no abaulamento discal isolado. Ela só entra em discussão quando existe compressão importante de nervo ou de medula com déficit neurológico, ou dor incapacitante que persiste mesmo após um tratamento conservador bem conduzido, em geral por semanas a meses. Nesses casos, técnicas minimamente invasivas, como a cirurgia endoscópica de coluna, buscam descomprimir o nervo com menor agressão aos tecidos. A decisão depende do conjunto e é explicada em quando operar hérnia de disco.

Abaulamento discal tem cura?

A resposta honesta depende do que se espera por cura. O disco que perdeu água e altura dificilmente volta ao aspecto de um disco jovem, e o abaulamento pode continuar aparecendo nos exames mesmo quando a dor desaparece. O objetivo do tratamento é controlar os sintomas, devolver a função e reduzir a chance de novas crises, e isso é alcançado em boa parte dos pacientes. Em muitos casos, a dor melhora muito ou some com o abaulamento discal ainda visível na imagem. O resultado varia de pessoa para pessoa. Para o tema em geral, veja hérnia de disco tem cura.

Quem tem abaulamento discal pode fazer academia?

Na maioria dos casos, sim, e a atividade física faz parte do tratamento. O que muda é a forma de fazer. Caminhada, natação, bicicleta, pilates e musculação com carga progressiva e boa técnica costumam ser bem toleradas, porque fortalecem o tronco e protegem o disco.

Alguns pontos pedem cuidado: cargas pesadas sobre a coluna, como agachamento e levantamento terra, durante uma crise de dor; impacto repetido, como corrida em piso duro, enquanto há dor irradiada; e movimentos de flexão com rotação sob carga. Na fase de dor aguda, vale reduzir a intensidade e retomar aos poucos. Para pegar peso no dia a dia, aproxime o objeto do corpo, dobre os joelhos e evite girar a coluna ao levantar. Quem tem abaulamento discal com sintoma de nervo comprimido deve ter a liberação do médico e o acompanhamento de um fisioterapeuta ou profissional de educação física antes de aumentar a carga.

Qual o CID do abaulamento discal

O abaulamento discal não tem um CID exclusivo. Ele costuma ser enquadrado no grupo M51, que reúne os transtornos dos discos intervertebrais, ou no M50, quando está na região cervical. Os códigos mais usados são:

CID-10DescriçãoQuando costuma ser usado
M51.2Outro deslocamento especificado de disco intervertebralAbaulamento ou protrusão lombar sem radiculopatia
M51.1Transtornos de discos lombares e de outros discos intervertebrais com radiculopatiaQuando há dor irradiada por compressão de raiz nervosa
M50.2Outro deslocamento de disco cervicalAbaulamento cervical sem radiculopatia
M50.1Transtorno do disco cervical com radiculopatiaRegião cervical com dor irradiada para o braço

Em alguns casos o médico prefere o M51.3 (outra degeneração especificada de disco intervertebral), quando predomina a degeneração, ou um código de dor, como o M54.5. Sobre este último, veja o CID da lombalgia. O código final é definido pelo médico e deve constar no relatório ou atestado.

Quando procurar um neurocirurgião

Vale marcar uma avaliação com um neurocirurgião em São Paulo quando:

  • a dor dura mais de 4 a 6 semanas apesar do tratamento;
  • a dor desce para a perna ou o braço, com formigamento;
  • há perda de força;
  • a dor atrapalha o sono e o trabalho;
  • o laudo menciona compressão de nervo ou de medula;
  • você quer uma segunda opinião antes de qualquer procedimento.

Ao avaliar um abaulamento discal, o neurocirurgião reúne exame neurológico completo e leitura dos exames de imagem, e o plano é definido caso a caso, priorizando o tratamento conservador sempre que ele for suficiente. Saiba mais sobre o tratamento de hérnia de disco em São Paulo.

Perguntas Frequentes

O que é abaulamento discal?

É a projeção do disco da coluna para além do seu limite normal, sem rompimento do anel externo. É um achado comum na ressonância e, em muitos casos, não causa sintomas.

Abaulamento discal é hérnia de disco?

Tecnicamente, não. No abaulamento o anel do disco continua íntegro e a projeção é ampla. Na hérnia (protrusão ou extrusão), o material do disco empurra ou rompe o anel em um ponto.

Abaulamento discal é grave?

Na maioria dos casos, não. A atenção aumenta quando há compressão de nervo, perda de força, perda de controle da urina ou das fezes, ou dor incapacitante.

Abaulamento discal tem cura?

O disco dificilmente volta ao aspecto de jovem, mas os sintomas podem melhorar muito ou desaparecer com o tratamento. O abaulamento pode continuar visível no exame sem causar dor. O resultado varia de pessoa para pessoa.

Qual o CID do abaulamento discal?

Costuma ser enquadrado no grupo M51 (lombar), como o M51.2, ou no M50 (cervical). Com dor irradiada por compressão de raiz, usa-se o M51.1 ou o M50.1. O código final é definido pelo médico.

Quem tem abaulamento discal pode fazer academia?

Em geral, sim, com orientação e carga progressiva. Em crise de dor ou com sintoma de nervo comprimido, é preciso reduzir a intensidade e ter liberação médica antes de aumentar a carga.

Abaulamento discal precisa de cirurgia?

Raramente. A cirurgia só é considerada com compressão importante de nervo ou medula, déficit neurológico ou dor incapacitante que não melhora após tratamento conservador bem conduzido.

Se você recebeu um laudo com abaulamento discal e ainda tem dúvidas sobre o que fazer, uma avaliação com um especialista em coluna em São Paulo ajuda a separar o que é achado de imagem do que realmente explica os seus sintomas.

Dúvidas sobre abaulamento discal?

Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta médica. Para avaliar o seu caso, agende uma consulta com o Dr. Shiro Shimoakoishi.

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Neurocirurgião Especialista em Tumor Cerebral em São Paulo

Neurocirurgião
CREMESP: 241639  |  RQE: 117858

Neurocirurgião oncológico, especialista em tumores do cérebro e da coluna vertebral, com foco em cirurgia minimamente invasiva. É membro titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia e da Associação Médica Brasileira, possui publicações internacionais em neurocirurgia e neuro-oncologia, e recebeu o Prêmio Professor Elyseu Paglioli da SBN em 2023.