Cifose: o que é, tipos, sintomas e tratamento

Conteúdo revisado pelo Dr. Shiro Shimoakoishi, neurocirurgião especialista em tumores cerebrais e coluna.

Cifose: o que é, tipos, sintomas e tratamento

A cifose é a curvatura natural da coluna na região torácica, a parte de cima das costas, onde ficam as costelas. Toda pessoa tem essa curvatura, que é normal e importante para o equilíbrio do corpo. O problema surge quando ela se torna exagerada, o que os médicos chamam de hipercifose e o senso comum chama de “corcunda”. Nesse caso, as costas ficam mais arredondadas do que deveriam. A boa notícia é que a forma mais comum desse aumento da curvatura está ligada à postura e tem ótimo prognóstico. Entender os tipos e as causas é o primeiro passo para saber quando é apenas uma questão de hábito e quando merece uma avaliação mais atenta.

Neste artigo, você vai entender o que é a cifose, a diferença entre a curvatura normal e a hipercifose, os principais tipos, os sintomas e como é feito o tratamento.

Principais conclusões

  • A cifose é a curvatura natural da parte de cima das costas; em excesso, chama-se hipercifose (a “corcunda”).
  • A curvatura torácica normal fica em torno de 20 a 45 graus; acima disso, é considerada acentuada.
  • O tipo mais comum é o postural: flexível, ligado ao hábito e com ótimo prognóstico.
  • A doença de Scheuermann é uma forma estrutural (rígida), que surge na adolescência.
  • O tratamento depende do tipo e do grau: da correção postural e fisioterapia ao colete e, raramente, à cirurgia.

Cifose normal e hipercifose

Vista de lado, a coluna saudável não é reta: ela tem curvaturas naturais que ajudam a distribuir o peso e a absorver impactos. Na região torácica (a parte de cima das costas), essa curvatura para trás é justamente o que se chama de cifose, e essa curvatura é normal e necessária. Em valores considerados saudáveis, fica em torno de 20 a 45 graus.

O problema aparece quando essa curvatura ultrapassa o normal, tornando-se acentuada. Aí se usa o termo hipercifose, que é a curvatura exagerada, popularmente conhecida como “corcunda” ou “dorso curvo”. Ou seja, o problema não é ter a curvatura, e sim tê-la em excesso. Fazer essa distinção é importante para não confundir uma postura levemente arredondada, que é comum, com um desvio que realmente precisa de atenção. Assim como a escoliose é um desvio para o lado, esse quadro é um exagero da curvatura para a frente.

Dúvidas sobre cifose?

Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta médica. Para avaliar o seu caso, agende uma consulta com o Dr. Shiro Shimoakoishi.

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Os tipos e suas causas

Cifose - Os tipos e suas causas

Compreender os tipos dessa condição é fundamental, porque cada um tem uma causa e um tratamento diferentes. Os principais são:

Cifose - Os tipos e suas causas
TipoCaracterísticas
Postural (flexível)A mais comum. Ligada a maus hábitos de postura, é flexível (corrige ao endireitar o corpo) e tem ótimo prognóstico. Frequente em adolescentes.
Doença de ScheuermannForma estrutural e rígida, que surge no crescimento, por alteração no formato das vértebras. Mais comum em meninos, com componente hereditário.
CongênitaPresente desde o nascimento, por má formação das vértebras durante a gestação.
Degenerativa / osteoporóticaSurge na idade adulta ou avançada, pelo desgaste da coluna (como na artrose de coluna) ou por fraturas ligadas à osteoporose, comum em idosos.

A distinção mais importante é entre a forma postural e a estrutural. A postural é flexível: quando a pessoa faz força para endireitar as costas, a curvatura melhora, e o tratamento é essencialmente de correção e fortalecimento. Já a de Scheuermann é rígida: não se corrige apenas com o esforço postural, porque há uma alteração na própria forma das vértebras. Reconhecer qual é o caso é papel da avaliação médica e muda todo o tratamento.

Sintomas e quando se preocupar

Na maior parte dos casos, especialmente na forma postural leve, o principal incômodo é estético: a percepção de costas arredondadas ou dos ombros caídos. Muitas pessoas procuram ajuda por causa da aparência, e não da dor. Quando a curvatura é mais acentuada, porém, podem surgir outros sintomas:

  • Dor nas costas, principalmente na região torácica, e cansaço muscular;
  • Rigidez e sensação de encurtamento na parte de trás do corpo;
  • Ombros arredondados e cabeça projetada para a frente;
  • Em casos graves e raros, a curvatura acentuada pode comprometer a respiração, por reduzir o espaço do tórax.

Esse último ponto merece contexto para não gerar alarme: dificuldades respiratórias só ocorrem em hipercifoses muito acentuadas, que são raras. Ainda assim, a presença de dor persistente, de uma curva que progride, ou de uma deformidade rígida que não melhora com a postura, são sinais de que vale procurar avaliação médica.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico começa pela avaliação clínica. O médico observa a postura, avalia se a curvatura é flexível ou rígida (por exemplo, pedindo que a pessoa se incline para a frente e endireite as costas) e verifica a presença de dor. Esse exame já ajuda a distinguir a forma postural da estrutural.

A confirmação e a medida do grau da curvatura são feitas pela radiografia da coluna, na qual o médico mede o ângulo da cifose. Em alguns casos, exames complementares avaliam as vértebras em detalhe ou investigam causas como a osteoporose. Como em outras condições da coluna, o resultado do exame é sempre interpretado junto com o quadro clínico, o que é papel do especialista.

Como é o tratamento

O tratamento é totalmente individualizado e depende do tipo, do grau e da idade. Na grande maioria dos casos, é conservador, sem cirurgia:

  • Correção postural e fisioterapia: a base do tratamento da forma postural. Métodos como a reeducação postural e o fortalecimento da musculatura das costas ajudam a melhorar a curvatura e a aliviar sintomas;
  • Exercício físico e mudança de hábitos: manter-se ativo, corrigir a postura no trabalho e no uso de telas ajuda a prevenir a progressão;
  • Colete ortopédico: pode ser indicado na doença de Scheuermann em pacientes ainda em crescimento, para conter a progressão da curva;
  • Tratamento da causa de base: quando o quadro vem da osteoporose, por exemplo, tratar a osteoporose é parte fundamental.

O grau da curvatura, medido na radiografia, ajuda a direcionar a intensidade do tratamento:

Curvas de até cerca de 60 graus

É a faixa da maior parte dos casos, tanto da forma postural quanto de quadros iniciais da doença de Scheuermann. O tratamento é conservador: fisioterapia, reeducação postural e fortalecimento da musculatura das costas costumam ser suficientes para melhorar a curvatura, aliviar a dor e evitar a progressão. Em pacientes ainda em crescimento, radiografias de controle em intervalos regulares confirmam que a curva permanece estável.

Curvas entre 60 e 80 graus

Nessa faixa, mais associada à doença de Scheuermann do que à forma postural, o acompanhamento precisa ser mais próximo. Em pacientes ainda em fase de crescimento, o colete ortopédico pode ser indicado para conter a progressão da curva enquanto o esqueleto ainda se desenvolve, combinado à fisioterapia. Isoladamente, a fisioterapia tende a não ser suficiente para reverter curvas dessa magnitude, ainda que ajude a controlar a dor e a postura.

Curvas acima de 80 graus

Curvaturas nessa magnitude, especialmente quando associadas a dor importante, progressão mesmo com tratamento conservador bem conduzido ou comprometimento da função respiratória, são as que mais frequentemente levam à avaliação para cirurgia de correção. Ainda assim, representam uma minoria dos casos de cifose, e a indicação cirúrgica depende de uma análise conjunta do grau da curva, da idade, dos sintomas e da velocidade de progressão.

Em qualquer uma dessas faixas, a definição da melhor conduta deve ser feita por um especialista, já que o tratamento leva em conta não apenas o grau medido na radiografia, mas também o tipo de cifose, a idade e a evolução do quadro. Um neurocirurgião em São Paulo ou especialista em coluna pode avaliar cada caso. Informações sobre a saúde da coluna também podem ser consultadas junto à Sociedade Brasileira de Coluna (SBC).

Prevenção e postura

Para a forma postural, que é a mais comum, a prevenção e o tratamento se confundem, e as medidas são simples: manter uma boa postura no dia a dia, especialmente ao usar computador e celular (evitando a cabeça projetada para a frente por longos períodos); fortalecer a musculatura das costas e do core com atividade física regular; fazer pausas para se movimentar durante longas horas sentado; e cuidar da saúde óssea, prevenindo a osteoporose com a idade.

A mensagem final é tranquilizadora: a condição, na sua forma mais comum, é administrável e frequentemente reversível com correção postural e fortalecimento. Mesmo as formas estruturais têm tratamento eficaz quando acompanhadas a tempo. O importante é não ignorar uma curvatura que progride ou que causa dor, e buscar avaliação para definir o cuidado certo. Diante de dúvidas sobre a postura ou de uma curvatura acentuada, a recomendação é procurar um especialista.

Perguntas frequentes

O que é cifose?

É a curvatura natural da coluna na região torácica (parte de cima das costas), normal e presente em todos. Quando essa curvatura fica exagerada, acima de cerca de 45 graus, é chamada de hipercifose, popularmente conhecida como “corcunda”. Ou seja, o problema não é a cifose em si, mas o seu excesso.

Qual a diferença entre cifose e hipercifose?

A curvatura torácica é normal em todos. A hipercifose é essa mesma curvatura de forma acentuada, além do normal, que resulta nas costas arredondadas (“corcunda”). No dia a dia, muita gente usa “cifose” já se referindo ao aumento da curvatura, mas tecnicamente o excesso é a hipercifose.

Cifose tem cura?

Depende do tipo. A forma postural, a mais comum, costuma melhorar bastante e até se resolver com correção postural e fortalecimento, tendo ótimo prognóstico. As formas estruturais, como a de Scheuermann, têm tratamento eficaz para controlar a curva e os sintomas, embora nem sempre revertam totalmente.

Cifose postural é grave?

Geralmente não. A forma postural é flexível (melhora ao endireitar o corpo), está ligada ao hábito e tem ótimo prognóstico com correção postural e exercícios. O principal incômodo costuma ser estético. Ainda assim, vale a avaliação para confirmar que se trata da forma postural e orientar o tratamento.

O que é a doença de Scheuermann?

É uma forma estrutural e rígida de hipercifose que surge na adolescência, durante o crescimento, por uma alteração no formato das vértebras (que ficam em cunha). É mais comum em meninos e tem componente hereditário. Diferente da postural, não se corrige apenas com esforço de postura.

Como corrigir a cifose postural?

O tratamento é essencialmente clínico: correção postural, reeducação postural (como a RPG) e fortalecimento da musculatura das costas e do core, além de mudanças de hábito no uso de telas. Deve ser orientado por um profissional. Na forma postural, essas medidas costumam trazer bons resultados.

Se a dor persistir ou os sintomas piorarem, vale marcar uma consulta com um especialista em coluna para uma avaliacao detalhada.

Dúvidas sobre cifose?

Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta médica. Para avaliar o seu caso, agende uma consulta com o Dr. Shiro Shimoakoishi.

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Neurocirurgião Especialista em Tumor Cerebral em São Paulo

Neurocirurgião
CREMESP: 241639  |  RQE: 117858

Neurocirurgião oncológico, especialista em tumores do cérebro e da coluna vertebral, com foco em cirurgia minimamente invasiva. É membro titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia e da Associação Médica Brasileira, possui publicações internacionais em neurocirurgia e neuro-oncologia, e recebeu o Prêmio Professor Elyseu Paglioli da SBN em 2023.